Caso Dália Negra pode ter sido resolvido após 70 anos

Caso Dália Negra pode ter sido resolvido após 70 anos

 

Via Daily Mail, Caroline Howe
[Tradução: Ana Paula Laux]

 

O caso Dália Negra foi, indiscutivelmente, um dos mais famosos casos de homicídio dos Estados Unidos no século 20. Aconteceu em Los Angeles, em 1947, quando o corpo de uma aspirante a atriz chamada Elizabeth Short foi encontrado mutilado ao lado de uma calçada, numa cena de violência explícita chocante.

Elizabeth tinha apenas 22 anos, uma beleza magnética com olhos profundamente azuis e cabelos encaracolados. Seu corpo foi encontrado com lacerações profundas em várias partes, marcas de espancamento no rosto e na cabeça, a boca com uma incisão extensa que ia de um canto ao outro da face.

Seu tronco também foi completamente cortado por uma incisão, expondo o intestino, os órgãos do abdômen e lacerando os intestinos e os rins. Havia ainda lacerações no quadril, além de um pedaço irregular de carne que foi removido da coxa esquerda. Um pedaço de tecido foi cortado da mama direita e, no ânus, foi inserido um objeto estranho.

O caso nunca foi plenamente resolvido pela polícia de Los Angeles, sob a qual recaíram suspeitas de um encobrimento por parte da Divisão de Homicídios. Agora, 70 anos depois, a pesquisadora Piu Eatwell aponta o assassino no livro Black Dahlia, Red Rose: The Crime, Corruption, and Cover-Up of America’s Greatest Unsolved Murder.

Eatwell afirma que o homicídio foi cometido por Leslie Dillon, num crime encomendado por um homem influente em Hollywood na época, o dinamarquês Mark Hansen, dono de várias salas de cinema, de um cassino clandestino e também ligado ao showbizz. No livro, a autora explica a relação de Short com Hansen, e como Leslie Dillon, que trabalhava para Hansen, sabia de detalhes do crime que só o assassino poderia saber.

Os ferimentos encontrados no corpo de Elizabeth sugeriam a prática de necrofilia e um fetichismo com facas.

 

“Eram as marcas de um assassino sádico e de luxúria… especulou-se que ele ou tinha treinamento médico ou experiência com o manuseio de cadáveres em um necrotério – e um evidente fascínio pela morte”, afirma Eatwell.

 

Dillon, por sua vez, trabalhou por um tempo em um necrotério.


O suspeito Leslie Dillon (à esquerda), que nunca chegou a ser formalmente indiciado 

 

Como o caso ganhou publicidade em grandes proporções e não foi identificado nenhum suspeito a princípio, os detetives mergulharam nos detalhes da vida da vítima para rastrear o assassino, e o que se viu foi um sensacionalismo sem precedentes e uma tentativa de culpar a vítima por sua “conduta inapropriada”. A polícia focou em 25 suspeitos a princípio, incluindo o médico George Hill Hodel, , que foi apontado pelo próprio filho como o responsável pela morte de Elizabeth no livro “The Black Dahlia Avenger”.

Apesar de haverem reunido provas circunstanciais contundentes contra Dillon, ele não foi oficialmente indiciado. Em 1949, o departamento de polícia de Los Angeles enfrentava graves acusações de corrupção, situação que interferiu diretamente nos desdobramentos do Caso Dália. Segundo Eatwell, o departamento ajudou a encobrir o crime e a participação indireta de Mark Hansen no que se tornou um dos grandes casos não resolvidos de homicídio nos Estados Unidos.

Em um interrogatório, Dillon disse à polícia que não diria uma palavra se o deixassem ir, mas que se o prendessem ele revelaria onde estavam os corpos enterrados pelo crime organizado da cidade. O que se sabe é que ele foi liberado pelos investigadores. Todos os principais protagonistas do caso Dahlia estão mortos, sendo que a maioria dos documentos desapareceu dos arquivos do departamento de polícia de Los Angeles.

Na sequência da investigação do grande júri de 1949, houve uma campanha intencional para suprimir os fatos do caso e desacreditar e assediar testemunhas chave, afirma a autora. E houve uma falta de vontade por escritores e pesquisadores mais recentes para esclarecer os fatos e contar a história.

O assassinato de Elizabeth inspirou livros e filmes, como Dália Negra, livro de James Ellroy publicado em 1987 e que foi adaptado para o cinema em 2006, por Brian de Palma.

 

SOBRE O LIVRO

Título: Dália Negra
Autor: James Ellroy
Páginas: 448
Editora: Best Bolso
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SINOPSE – Romance de estreia de James Ellroy. prenúncio de uma das carreiras mais brilhantes da ficção policial moderna. Dália Negra é uma obra-prima que retrata a brutalidade de um crime hediondo. Verídico. Em 15 de janeiro de 1947, o corpo torturado e estuprado de uma bela jovem é encontrado num terreno baldio de Los Angeles. A vítima aparece nas manchetes como a Dália Negra, e a busca por seu assassino transforma-se na maior caçada humana da história da Califórnia. Obcecado por este assassinato, James Ellroy dedicou-se durante anos a investigar por conta própria os detalhes do crime. “Ia de ônibus até a biblioteca pública. Pesquisei tudo sobre a vida e a morte da Dália Negra. Pesadelos com a Dália me vinham em grupos intermitentes” confessa o autor em sua autobiografia Meus Lugares Escuros. O jovem Ellroy percebeu que sua obsessão pelo caso e a paixão pela ficção policial podiam lhe render algo mais. e começou a escrever sobre um assunto que conhecia como poucos: a Dália Negra. Este maravilhoso romance noir logo se tornou um grande sucesso e inspirou o filme dirigido por Brian De Palma e estrelado por Scarlett Johansson. Aaron Eckhart e Josh Hartnett.

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