Premiada autora dinamarquesa tem seu primeiro livro lançado em português

 

PUBLI – Uma família foge da perseguição aos judeus em Berlim, e uma mãe diz aos filhos que a liberdade os espera. Trinta anos depois, Lars-Ole, um menino de dez anos, desaparece de uma pacata vila no norte da Dinamarca, e após meses de investigação, a polícia ainda está longe de desvendar o caso.

Niels, o melhor amigo de Lars-Ole, resolve tomar o caso nas próprias mãos — e o medo se espalha quando ele também desaparece. Conseguirá um determinado e esperto garoto solucionar um mistério do qual a própria polícia desistiu ou pagará com a própria vida?

Tendo como ponto de partida a Noite dos Cristais (ataque organizado contra os judeus ocorrido na Alemanha Nazista nos dias 9 e 10 de novembro de 1938 e que deve seu nome aos milhões de pedaços de vidro das janelas das lojas, edifícios e sinagogas judaicas que encheram as ruas), Noites de Cristal é o primeiro romance policial da autora dinamarquesa Dorte Hummelshøj Jakobsen a ser traduzido para o português.

Dorte nasceu em Em, uma pequena vila no norte da Dinamarca, no início da década de 1960. Após alguns anos trabalhando como professora, ela embarcou na nova carreira de escritora de livros policiais, publicados em sua língua materna e em inglês, todos com grande sucesso junto ao público leitor.

A seguir, uma entrevista concedida pela autora ao jornalista Mads Cunha Vestergaard, por ocasião do lançamento do livro.

 

Qual foi sua motivação para escrever o livro? A Noite dos Cristais teve um significado especial em sua vida?

Honestamente, devo admitir que tive a ideia de escrever Noites de Cristal há muito tempo – há tanto tempo que não lembro muita coisa sobre como e por quê. Mas minha infância em Em (Kalum no livro) foi, em termos gerais, segura e livre, por isso, se a história do livro tivesse que tratar de um crime mais sério que um pequeno roubo a um armazém ou um pneu de motocicleta furado, eu precisava voltar à época da ocupação nazista e à perseguição aos judeus nos anos 1940. Meus pais não costumavam falar muito sobre a ocupação nazista, mas ficou muito claro para mim que foi um acontecimento que deveria se evitar a qualquer preço que se repetisse. Uma das coisas mais importantes que aprendi com meu falecido pai foi o respeito por todas as pessoas, independentemente de nível educacional, posição social, gênero e etnia. Por isso, achei estranho quando um crítico americano sugeriu que o livro é antissemita. Essa não foi, em todo caso, minha intenção e acredito que ele apenas não tenha lido com atenção suficiente para ver de onde vem o suposto antissemitismo.

 

Como sua própria infância se reflete no livro?

Como eu disse, minha infância foi no campo, em um ambiente livre e seguro. Fui uma criança que gostava de andar por aí, com vários quilômetros quadrados ao meu dispor e muita imaginação. Em um ambiente como esse, só mesmo me tornando fã de livros policiais para ter um pouco de tensão em minha vida. Desde então, li milhares de romances policiais e ainda prefiro as histórias clássicas aos thrillers rápidos – uma história em que o perigo se infiltra lenta e silenciosamente no dia a dia seguro e conhecido. Gosto também de livros em que o ambiente é descrito de forma tão viva que o leitor consegue se ver dentro dele. Por isso, escolhi seguir um caminho diferente da maioria, que escreve sobre cidades grandes e os crimes que acontecem nelas. Preferi voltar ao ambiente rural, que conheço bem e que representa um contraste marcante com os acontecimentos violentos do livro.

 

Como a senhora vê a amizade entre Lars-Ole e Niels e sua curiosidade pelo mundo ao pensar nas crianças de hoje?

Espero que muitas crianças tenham a oportunidade de ter uma infância parecida. Acredito que grande parte daqueles que cresceram nas cidades dinamarquesas nos anos 1960 diria que passou a infância no limite da pobreza, mas as crianças de Kalum tinham condições mais ou menos semelhantes, e por isso não viam a si mesmas como pobres. E em razão do ambiente seguro, os dois meninos podiam explorar os arredores com relativa liberdade. Eles podiam dar asas à imaginação e desafiar limites subindo em árvores, cavando buracos, pescando no riacho, brincando de espiões e muito mais. E, naturalmente, desejo a todas as crianças do mundo uma amizade como a deles: confiança e lealdade maiores que a morte. Sei que é um pensamento pouco realista e um escapismo ingênuo de minha parte, mas seria maravilhoso se todas as crianças, no mundo inteiro, pudessem viver com segurança, confiança e amizades duradouras.

 

SOBRE O LIVRO

Título: Noites de Cristal
Autora: Dorte Hummelshøj Jakobsen
Tradução: Ana Cunha Vestergaard
Páginas: 223
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SINOPSE – Uma família foge da perseguição aos judeus em Berlim, e uma mãe diz aos filhos que a liberdade os espera. Mas conseguirão eles construir uma nova e segura vida na Escandinávia? Trinta anos depois, Lars-Ole, um menino de dez anos, desaparece de uma pacata vila no norte da Dinamarca, e após meses de investigação, a polícia ainda está longe de desvendar o caso. Niels, o melhor amigo de Lars-Ole, resolve tomar o caso nas próprias mãos — e o medo se espalha quando ele também desaparece. Conseguirá um determinado e esperto garoto solucionar um mistério do qual a própria polícia desistiu ou pagará com a própria vida? Premiado thriller psicológico da autora dinamarquesa Dorte Hummelshøj Jakobsen.

 

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Ana Paula Laux

Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book "Os Maiores Detetives do Mundo" (Chris Lauxx).

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